domingo, 29 de maio de 2011

Carta de uma professora primária a um casal wicanno

                             
Prezados Sr. e Sra. Thomas



Estou escrevendo esta carta a respeito de sua filha, Lua Aradia. Não me levem a mal, porém, a despeito de ela só tirar notas A e ser uma criança brilhante, tem alguns hábitos estranhos dos quais gostaria de falar.

Todas as manhãs, antes das aulas, ela insiste em andar em torno da sala com o lápis no ar. Ela diz que está "desenhando a Lua". Eu disse-lhe que a aula de arte só acontece dali a uma hora e pedi esperasse até lá para fazer desenhos.

Falando em aulas de arte, todas as vezes que ela desenha o céu noturno, insiste em fazer círculos em torno de cada estrela e pessoas dançando no chão. O que nos traz ao assunto "dança". Precisei impedir duas vezes que ela tirasse a roupa durante a brincadeira de roda! Aliás, o que significa "vestido de céu"?

Aradia não tem problemas para fazer amigos. Durante o recreio eu sempre a encontro com os coleguinhas sentados em volta num círculo. Ela gosta de dividir com eles seu suco e seus biscoitos – é lindo ver como ela não gostar de ver alguém com fome ou sede. Entretanto, quando eu cheguei perto para ver o que estão fazendo, ela ficou em pé, mandou que eu ficasse parada, sacou uma faquinha de plástico e começou a brandi-la na minha frente. Eu achei isso um tanto perigoso e levei-a para a sala do diretor. Ela explicou então que estava "abrindo o círculo" para que eu entrasse. Contou ainda que Mamãe e Papai sempre lhe dizem para não brincar ou correr com um "athame" na mão, que ela pode furar o olho de alguém. Não sei o que é um "athame", mas fico feliz que ela o tenha deixado em casa.

Falando em invenções, sua filha tende a pregar algumas mentiras. Ontem mesmo, enquanto eu estava ralhando com Tommy Johnson e apontando-lhe o dedo, ele começou a gritar e fugiu correndo da sala. Quando consegui alcançá-lo, ele disse que Aradia contou a ele e ao resto da turma que da última vez que balancei o dedo para alguma criança, ela pegou catapora. Eu expliquei que o caso de Sally Jones foi apenas coincidência, que essas coisas não acontecem de verdade.

Uma das coisas mais estranhas aconteceu quando pedi às crianças que trouxessem decorações de Halloween para a sala de aulas. Aradia trouxe sal, incenso e o álbum de família. Notei que ela tem um grande senso de humor.

Mas um dos piores hábitos de Aradia é ser respondona. Eu estava dizendo a turma que o ensinamento mais importante é "Faça aos outros o que quer que outros lhe façam", e ela discordou veementemente de mim, dizendo que era "Se não prejudicas ninguém, faze o que tu queres". Não consigo fazê-la para de dizer "assim seja, assim se faça" quando termina de ler algo em voz alta. Já tentei corrigi-la nesses assuntos, mas ela fica muito irritada. Aponta o dedo para mim e murmura algo que não consigo entender.

Finalizando, Sr. e Sra. Thomas, gostaria de agendar uma reunião com vocês para a próxima semana, para discutir esses assuntos. Preferia marcar para antes, mas apareceram-me umas urticárias que estão me deixando preocupada.

Ansiosamente, Sra. Livingston

P.S. Abençoados sejam. Pelo que sua filha me explicou essa é a saudação correta e polida lá da sua terra."

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...