domingo, 20 de março de 2011

Mabon


Meditação de Mabon 
O Caldeirão de Cerrydwen

Tradução livre por Brydea
do livro, "KINDLING THE CELTIC SPIRIT" de Mara Freeman


Época de Transformação
O Outono e as suas cores indicam-nos uma transformação. Tudo muda para se preparar para o Inverno, Devemos como ele modelar-nos enriquecer o nosso ser com tudo o que o ano nos trouxe até a data e o que podemos modificar para concluir o ciclo em Shawein e reiniciar um novo ciclo.
O Nome para esta ultima meditação do ano é o Caldeirão de Cerrydwen
 Toda a arte implica transformação e para poder fazer arte, nós mesmos devemos nos transformar. Viver conscientemente é um acto criativo, no qual cada dia é uma tela a ser pintada, o nosso metal a ser forjado, a nossa música a compor…
De uma certa forma, Gwion, (“ O Brilhante”), representa o Sol que é “engolido” pela noite que se estende com a chegada do Inverno. Ele surge do mar como o do “Fronte Luminoso” do Sol, nos primeiros dias do verão em Beltane.
No nosso ser interior, Gwyon representa a nossa essência, que se manifesta por uma luz brilhante. O nosso “Eu” pessoal gira a volta da luz no centro de nosso ser, como a Terra gira em volta da orbita solar.
A morte e o renascimento de Gwyon, como poeta vidente, evocado nos rituais de iniciação nas escolas dos mistérios no fim da antiguidade, onde o aprendiz descia ao reino da Grande Deusa, que recebe o espírito dos mortos e lhes concede uma nova vida.
Levam-nos a Cerrydwen. O seu caldeirão, sua matriz, e o oceano, são recipientes de regeneração, dos quais o simples camponês emerge para ser Taliesin, bardo e vidente. O pescador que o encontra trouxe na realidade um peixe na sua rede: o jovem Gwyon renasceu como um ser omnisciente do Outro Mundo - o Salmão da sabedoria.
Frequentemente a nossa vida é transformada com acontecimentos inesperados, tal como Gwion, quando ingeriu acidentalmente a algumas gotas da poção mágica.
É então quando Cerrydwen, guardiã do caldeirão das transformações, começa a perseguir-nos, forçando-nos a adaptarmos-nos e transformarmos-nos em uma nova pessoa,  pondo á prova a ideia de “pessoa” que tínhamos de nós mesmos ate agora.
Uma união que acaba, um emprego que se perde… subitamente o pilar que sustenta a nossa identidade quebra-se e tal como Gwion, somos mergulhados na matriz da Deusa para sermos recriados, remodelados.
 Acenda uma vela branca para o guiar e proteger nesta meditação e coloque no centro do altar o caldeirão. (Caso não tenha opte por o cálice ou uma taça também serve.) Se preferir ponha um pouco de incenso a queimar. Tenha perto de si um papel e uma caneta.
Sente-se confortavelmente frente ao seu altar. Pense em algo da sua vida que gostaria de transformar. Pode ser um sentimento, uma situação, uma relação, um hábito, ou o que quer que seja que queira regenerar.
Escreva-o sobre um pouco de papel e guarde-o no seu colo enquanto se prepara para a jornada ao encontro de Cerrydwen, Mãe das Mudanças e das transformações.
 Então feixe os olhos e relaxe…
 Encontra-se numa linda pradaria aquática perto do lago de Bala. A Oeste, um sol alaranjado começa a pôr-se, e silhuetas de garças e outras aves voam frente a ele, procurando os seus ninhos entre os juncos.
Do outro lado do lago entre as sombras distantes esbate-se a sombra de uma pequena casa circular, com um telhado cónico por onde sai um fio de fumo.
Caminha entre o lago e dirige-se para a casa. Ao aproximar-se apercebe-se que alguém esta a porta. Um Jovem mal vestido, de sobrancelhas muito escuras, talvez com idade entre os 16 anos. Sobre o seu ombro está um corvo empoleirado, e então percebe que tem a sua frente o filho de Cerrydwen, Morfran.
Ele levanta silenciosamente as peles que servem de porta e você entra.
A Primeira coisa em que repara é na luz fraca vacilante e nas sombras nas paredes, revelando ramos de ervas suspensos no telhado de colmo e de vez em quando percebe ver estantes com preciosas pilhas de livros amontoados, frascos de vidros e objectos de formas estranhas, reconhecendo algumas, mas outros aos quais não consegue atribuir nomes.
Encontra a sombra de uma pessoa inclinada e dirigindo o olhar para o centro da divisão e apercebe-se de que se trata de uma mulher alta de meia-idade, que mexe o conteúdo de um caldeirão fumegante. Ela tem uma saia carmesim, comprida até aos pés e duas tranças espessas, uma preta a outra branca. Ao seu lado encontra-se a sua filha, Crearwy, linda e esbelta, com cerca de 16 anos, com cabelos loiros ondulados sobre os ombros.
 Cerrydwen ergue-se e lança-lhe um olha directo e pergunta-lhe bem frente a si:
“O que pretendes tu transformar?”, fazendo-lhe sinal para que se dirija para perto do caldeirão. Você vai até perto dela com o papel no qual escreveu a sua vontade e ela diz-lhe para que o deite no caldeirão fumegante.
(Então nesta altura você pega no papel e coloca-o dentro do caldeirão, (do cálice ou da taça) que se encontra no centro do seu altar. E volta a fechar os olhos).
Enquanto o papel desaparece no líquido que o caldeirão contém, este começa a borbulhar com um assobio. Então você espreita e vê bolhas a formarem-se e a arrebentarem no superfície do caldeirão e gotas cintilantes salpicarem a sua volta e então o borbulhar acalma e o liquido volta á serenidade.
Cerrydwen sorri e leva-o até ao caldeirão. A superfície esta clara e pensativa e consegue ver imagens da situação transformada…
Note no que está diferente… como você está, como agem os outros à sua volta, o que você diz, o que pensa e sente, tome consciência da diferença das atitudes, da ressonância da nova vibração ao percorrer uma nova existência…
Faça uma longa pausa reflicta bem nisto tudo...
A jovem aproxima se de si, segurando na mão um cálice prateado minuciosamente gravado com aves.
Cerrydwen mergulha uma concha dentro do caldeirão e verte um pouco da poção dentro do cálice que a sua filha lhe entrega dizendo:
 “ Este é o Elixir do Awen, possas tu ser transformado(a)”.
Você bebe e sente-se ficar renovado(a), fresco, cheio de um sentimento de esperança para o futuro e empenhado na mudança positiva.
Agradece ás duas mulheres e dirige-se para a porta, que Morfran abre. Agradece-lhe igualmente e enquanto se afasta toma cada vez mais consciência de que está aqui sentado(a), neste mesmo local, neste mesmo espaço de tempo cada vez mais consciente, abre os olhos e sente-se renovado(a) e desperto(a).
Deixe a vela arder até ao fim, aponte tudo o que sentiu e o acontecido nesta viagem. No dia seguinte, se possível dirija-se até a um rio e ofereça algo em agradecimento a cerrydwen pela mudança que lhe concedeu.http://murmuriosdasbrumas.blogspot.com/2009/09/meditacao-de-mabon.html

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...